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Visita a Inhotim - Galeria Cosmococa


Foi a segunda vez que fui em Inhotim, a primeira vez foi aos 14 anos com a escola, e foi fantástico perceber a diferença de percepção de uma visita a outra, não apenas na galeria escolhida como também em outras que tive a oportunidade de revisitar, além do próprio modelo do Inhotim. As obras eram as mesmas mas a capacidade de compreensão e a forma como as via eram completamente diferentes. 

A Cosmococa em especial foi uma galeria que me impressionou muito na primeira viagem, exatamente por ter um ar um lúdico e interativo todas as salas se apresentavam como grandes "parques de diversão". Já na segundo viagem, procurando o sentido de todas as salas e da galeria como um todo, a experiência foi completamente diferente, e agora aprecio ainda mais. 

A Cosmococa é uma obra de Hélio Oiticica e Niville D'Almeida, o nome da galeria se remete a uma mistura de "cocaína" com "Manco Cápac" (fundador do império inca - civilização que utilizava muito da folha de coca), todas as salas são de interação multi-sensoriais, todas muito geladas, com músicas de fundo e imagens sendo reproduzidas nas paredes a todo momento. Essas imagens em questão trabalham com diferentes rostos, manchetes de jornais e figuras da música e cinema "maquiadas" por cocaína. 

Na minha concepção a obra procurava aguçar todos sentidos humanos e nos convidar a participar um pouco da sensação que a droga em si traria no organismo: formigamento nos pés, peso no corpo, sons altos, frio, animação e fadiga, etc. Fizemos todo o percurso duas vezes antes de ler os significados, e na segunda rota nos demos conta de que talvez a melhor ordem para experimentar a obra fosse se direcionando primeiramente a piscina de água gelada. A água estava em uma temperatura muito próxima a zero, depois de algum tempo submerso na água nosso corpo começa a se anestesiar. Sair da piscina e ir em todos as salas de novo trazia sensações completamente diferentes - e muito mais incômodas, e pareceu a melhor forma de fazer o percurso se a intenção fosse realmente mostrar efeitos da cocaína. 

Nos textos que lemos fora da galeria e na mesma, em nenhum ponto os autores ditam uma ordem certa das salas ou confirmam a premissa de que se tratava de obras que apresentavam as sensações da droga. 







 

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