O autor começa o texto especificando o que, em tese, é uma imagem: uma cena. Ao ler é possível banalizar tão afirmativa a principio, mas depois fica muito mais nítido que as imagens técnicas (feitas por aparelhos) tem perdido essa função e estão dominando de um modo que o que deveriam ser cenas passam a ser a vida em si. E isso porque, antes da invenção dos aparelhos, existia um intermediário entre a realidade e a imagem, o pintor ou desenhista mostrava o mundo a partir daquilo que via e interpretava. Hoje, os fotógrafos tem brincado com o conceito, tirar de imagens obvias interpretações interessantes, como se estivessem jogando com a máquina, tentando acabar com todas as suas possibilidades. Nesse ponto Flusser abre uma discussão sobre servidão, seria a máquina escrava do homem, ou o homem escravo da máquina?
Por fim, o autor brinca com a ideia de que a máquina fotográfica se assemelha a todo o cosmos, onde seu início foi bem definido e nada casual, tudo tinha um principio, objetivo e direcionamento e com o passar dos anos tudo foi se perdendo de tal modo, que o cosmo organizado e simétrico se transformou no próprio causador do caos (trecho que se assemelha muito a textos discutidos posteriormente sobre programática). As imagens tem sido a criadora de toda a imaginação moderna e tratado de transformar a realidade em uma mera imagem dela mesma. Pensamos como computadores, visualizamos como eles e por isso somos controlados por eles. A ideia a principio era humanizar a tecnologia e hoje somos mecanizados por ela. E hoje é muito fácil se deleitar nesse fato e ignorar ele por completo, como muitos fotógrafos fazem quando deixam que suas máquinas os controlem, mas a proposta de uma filosofia da caixa preta é aproveitar daqueles que testam a máquina e a levam ao seu limite, para aqueles que procuram decodificar os códigos e encontrar respostas para a alienação.
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