No texto "Nosso Programa" de Flusser abre uma discussão sobre as imagens criadas pela sociedade, e aqui, "imagem" não se limita a cena, e sim, sobre a imagem projetada por toda a cultura a cada geração, desde as primeiras delas (causalística e finalística) até a mais atual (programática) e assim busca explicar não apenas o sistema em si, como a aplicação do mesmo em diversas áreas.
A imagem causalística é da "ação e reação", tão defendida pela área científica por anos, onde cada evento leva a um destino já predestinado, mas o evento em si é um mistério e o final não é certeiro. Entretanto, depois de muitos testes e tentativas é criado um padrão e o mistério se perde.
A imagem finalística é, como o próprio nome indica, aquela que visa o fim, bem como é pregado pelas religiões a séculos, a ideia de que o destino é único e a partir disto, tudo é predestinado e realizado para efetuação do mesmo.
Já a imagem programática, acredita que tudo é um mero acaso bem interpretado. Todas os eventos ocorrem por total acidente, não tem um final certo ou uma reação calculável, todas essas coisas dependem da interpretação de quem está analisando.
Para mim, a ideia de causalística e finalística me lembrou muito os conceitos de "escritor jardineiro" e "escritor arquiteto" de George R. R. Martin, onde o primeiro deixa que a história tome seus próprios rumos a partir de uma sequência de acontecimentos, e o segundo planeja a história para que alcance um fim pré-determinado. E foi muito interessante interligar conceitos tão parecidos em dois mundos "diferentes" e por dois escritores distantes, provando, de certo modo, que é como o mundo e a arte funcionam.
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